(clicando no canto inferior direito das fotos, pode ampliá-las)



O Parque de Monserrate, outrora quinta de pomares e culturas, existe como tal desde o séc. XVIII, quando Gerard DeVisme alugou a quinta à família Melo e Castro, sua proprietária. Desde então, todos os que se seguiram, William Beckford, a família Cook, o Estado Português e, finalmente, desde Setembro de 2000, a Parques de Sintra, Monte da Lua, S. A., esforçaram-se por criar um maravilhoso jardim botânico, ímpar nas suas características.

Crucial no seu desenvolvimento esteve o que se viria a tornar o 1º Visconde de Monserrate, Francis Cook. Juntamente com o pintor paisagista William Stockdale, o botânico William Nevill e o mestre jardineiro James Burt, criaram-se cenários contrastantes que se sucedem ao longo de caminhos sinuosos por entre ruínas, recantos, cascatas e lagos, sugerindo, através de uma aparente desordem, o domínio da Natureza sobre o Homem.


Assim, e contando sempre com a presença de espécies espontâneas de Portugal (medronheiros, azevinhos, sobreiros, entre outros), organiza o jardim com colecções de plantas de espécies oriundas dos cinco continentes, propondo-nos um passeio pelo mundo: fetos e metrosíderos evocam a Austrália; agaves, palmeiras e yucas recriam um cenário do México; rododendros, azáleas, bambus para o jardim do Japão. No total contabilizaram-se mais de duas mil e quinhentas espécies!



Arco de Vathek. Foi assim baptizado por William Beckford, um milionário escritor inglês que terá vivido cerca de oito anos em Monserrate, os últimos anos do século XVIII. Vathek era o título de um dos seus romances mais famosos, e o arco terá sido a entrada principal de Monserrate antes de a propriedade ser murada.


A história de Monserrate remonta à época em que Portugal se encontrava sob o domínio dos Mouros. Nessa altura, um cavaleiro moçárabe, que vivia na colina onde se situa actualmente o palácio, entrou em conflito com o alcaide do Castelo dos Mouros, acabando por perecer num duelo entre ambos. Terá sido sepultado pelos seus colegas cristãos na colina e, posteriormente, veneraram-no como mártir.


Nesse mesmo local, após a reconquista cristã de Sintra no século XII, pelo rei D. Afonso Henriques, foi construída uma ermida dedicada a Nossa Senhora.
Em 1540, a então Quinta da Bela Vista pertencia ao Hospital de Todos os Santos, em Lisboa. Frei Gaspar Preto, após uma peregrinação ao Eremitério Beneditino de Montserrat na Catalunha, mandou edificar uma capela votiva a Nossa Senhora de Monserrate (daí o nome actual do parque), no local da sepultura do cavaleiro moçárabe.


Em 1601, o Hospital de Todos os Santos aforou Monserrate à família Mello e Castro. D. Caetano de Mello e Castro, comendador de Cristo e vice-rei da Índia, acabou por comprar a propriedade em 1718. A partir de então, a família Mello e Castro, radicada em Goa, administrou a propriedade através de procuradores que, por sua vez, escolhia os rendeiros ou caseiros a quem competia a exploração agrícola da quinta e, quanto muito, a conservação das dependências que utilizavam. Das casas existentes, apenas se sabe que o terramoto de 1755 as tornou inabitáveis.


Os românticos do século XIX buscavam incessantemente a sugestão de evasão, no tempo e no espaço. Procuravam-na, sobretudo, na arte – a literatura, a pintura, a arquitectura e, como no caso dos jardins de Monserrate, a botânica.


Os soberbos jardins que rodeiam o palácio foram concebidos e executados por Stockdale e também por Thomas Gargill que souberam explorar as particularidades micro-climáticas da Serra, obtendo, deste modo, um magnífico parque, no qual se podem observar, ainda hoje, mais de 3.000 espécies exóticas.


A cascata também é da responsabilidade do escritor William Beckford, que construiu represas artificiais para garantir a constância da queda de água, e voltaremos a encontrar marca sua no final do percurso pelo parque, no falso cromeleque que mandou erigir.









Depois de Beckford, Monserrate passou por mais de meio século de abandono. Lord Byron deu conta disso, aquando da sua passagem por Sintra, em 1809:
Aqui moraste, e aqui sonhaste ser feliz, Vendo ao longe a montanha: a beleza imutável. Agora, este local parece amaldiçoado: Teu palácio está só como tu próprio és só. (Childe Harold’s Pilgrimage, 1809).




Azevinho


O Vale dos Fetos

Por volta de 1850 surgiu em Inglaterra a moda de se coleccionarem fetos. Quando se iniciaram as obras em Monserrate, naturalmente, também se decidiu incluir uma colecção de fetos no jardim. Escolheu-se um vale entre a cascata e a capela por ser a zona do parque com as melhores condições de luminosidade e humidade e também pela originalidade, pois o sítio normalmente escolhido eram estufas.







Aqui está a ruína de uma capela, envolvida em árvores da borracha. Por volta de 1840, o rei D. Fernando II adquiriu as ruínas do velho convento da Pena e toda a sua envolvente, com o objectivo de ali construir um palácio, rodeado de sumptuosos jardins ao estilo inglês. Como D. Fernando possuía uma ruína genuína na sua Pena, Sir Cook mandou construir a sua própria "ruina", a capela que encerra a história do nome da propriedade.











Há plantas a sair pelas janelas.


A bunia-bunia, uma conífera cujas pinhas podem chegar a pesar 10 quilos!






O relvado, de inspiração inglesa, obviamente, foi o primeiro de Portugal com um sistema de rega que permitia que se mantivesse verdejante todo o ano.


Enormes raízes aéreas




Cerca de 1790, Gerard DeVisme tornou-se o arrendatário de Monserrate. DeVisme, um inglês, tinha enriquecido com o monopólio da importação de pau-brasil que o marquês de Pombal lhe tinha concedido.


Foi ele quem construiu o primeiro palácio neogótico sobre as ruínas da antiga capela e moradias existentes na colina, capela essa que foi reerigida noutro local da quinta. Mais tarde, essa réplica foi parcialmente destruída, de modo a assemelhar-se às ruínas e locais abandonados que tanto eram apreciados pelo imaginário romântico do século XIX.


DeVisme pouco tempo residiu em Monserrate, acabando por subarrendar a propriedade e todas as suas benfeitorias a William Beckford, por volta de 1793. Beckford era o inglês mais rico do seu tempo. Usou uma pequena parte da sua fortuna para efectuar algumas obras no palácio e suas dependências e para criar um jardim paisagístico.



Alguns marcos da sua presença são o cromeleck, que se pensa ser da sua autoria, e a cascata, resultado do aproveitamento de uma cascata natural existente nesse local.
Em 1799 deixa definitivamente o nosso país e Monserrate volta a entrar em declínio.


Em 1809, Monserrate é visitada por Lord Byron, o famoso poeta, que cantou a beleza deste local no Childe Harold's Pilgrimage, lamentando apenas que "um matagal enorme" a custo lhe permitisse chegar "às salas sem ninguém com seus portais abertos" (referindo-se ao palácio), considerando a Quinta de Monserrate "o primeiro e mais lindo lugar deste reino", em carta de 16 de Junho do mesmo ano.


Em 1856, Sir Francis Cook, outro milionário inglês, adquiriu a abandonada quinta à família Mello e Castro. Inspirado pelo romantismo, fez reconstruir o palácio num estilo que oscila entre sugestões góticas, indianas e mouriscas. A parte rural foi finalmente transformada num parque. Procurou-se recriar ambientes de várias partes do mundo, aproveitando as extraordinárias condições naturais e possibilidades cénicas oferecidas.


A paisagem assim construída levou a que o parque fosse considerado um dos mais notáveis jardins exóticos do mundo, no período vitoriano.
Os jardins demoraram bastante tempo a serem concluídos (1863 a 1929).Um dos seus principais pontos de interesse era o relvado, de inspiração inglesa, obviamente. Este relvado foi o primeiro de Portugal com um sistema de rega que permitia que se mantivesse verdejante todo o ano.


O edifício construído segundo o risco de Knowels revela-se original e profundamente eclético. Os três corpos do pavilhão - encimados por bolbosas cúpulas vermelhas - apresentam as fachadas rasgadas por portas e janelas de quebratura gótica. A entrada é precedida de pórtico igualmente neogótico, cintado por grandes entablamentos. Na cornija surgem, alternados, modilhões de volutas e arcadas trilobadas e do corpo central emerge, sobre o frondoso parque, um balcão provido de arcaria e ornado com azulejos de imitação mudéjar.


Monserrate manteve-se na posse da família Cook até 1947, altura em que tiveram de a vender por não poderem suportar os crescentes encargos de uma propriedade deste tipo. Em 1946 tentaram vendê-la ao Estado português, que protelou a oferta.
Um acordo foi atingido entre a família Cook e um particular português que adquiriu todos os prédios e o recheio do palácio.


O novo dono, Saúl Sáragga, tentou lotear os 143 hectares que compunham o imóvel, mas a Câmara Municipal de Sintra não admitiu o projecto a discussão, impedindo-se assim a fragmentação da histórica propriedade. A Fazenda Nacional acabou por adquirir a célebre quinta e a tapada que compunham os 143 hectares, mais o palácio, vazio, em 1949. Em Setembro de 2000, a Parques de Sintra-Monte da Lua, S.A. tornou-se a gestora deste património.



História da preservação ou conservação
1950-1954 - Colocação de vidros e reparação das canalizações;
1958 - Trabalhos de conservação do palácio;
1961-1966 - Trabalhos de conservação e reparação das coberturas;
1974 - Reparação geral das coberturas, reestruturação da chaminé e substituição das colunas de madeira da torre central;
1980-1986 - Restauro das coberturas;
1992 - Recuperação das coberturas das torres do palácio;
1993 - Conclusão dos trabalhos efectuados ao nível da cobertura.




Após 50 anos de encerramento ao público, o palácio voltou a abrir as suas portas, em Setembro de 2004. Parcialmente, é certo, uma vez que ainda existem alas sob intervenção. No entanto, o que está à vista é mais do que suficiente para nos deslumbrar.
Um interruptor


Em 1858, Francis Cook contratou James Knowels Jr. para projectar o pavilhão que pretendia construir em Monserrate. O arquitecto deparou-se, no entanto, com limitações várias, uma vez que teve de se cingir às estruturas subsistentes do antigo castelinho neogótico de Devisme.
O tecto do átrio interior e varandins dos pisos superiores.


Um corredor
Uma bela janela

Um corredor visto a partir da Sala da Música.

No tecto do corredor uma impressionante sucessão de lâminas de pedra rendilhada.

No interior, a exuberância decorativa dos estuques e capitéis acentua o carácter orientalizante do pavilhão, nomeadamente na galeria e na "Sala de Música", onde uma profusão de temas indianos e clássicos imprime ao conjunto uma dinâmica própria que resulta em singular efeito estético.
Tecto e parede
Pormenor da parede
A planta dos vários pisos do palácio.
Interruptores etéctricos
Foto da família Cook, por amável cadência de Lady Brenda Cook e Associação Amigos de Monserrate.
Foto da Sala da Música mobilada.
Um dos antigos aquecedores
O antigo quadro eléctrico.
Uma das salas ainda não visitável, por não estar completamente recuperada, mas onde se pode ver um enorme espelho sobre uma lareira e as bonitas paredes.
A escada apenas está suspensa da parede onde se encaixa e tem um corrimão de pedra rendilhada.

Um biombo de pedra recortada como uma fina renda.
Um rendilhado de pedra encimam as portas interiores e compõem diversos biombos.
As claraboias exigem complicados formatos de vidros.


Pormenor do rendilhado do telhado
Pormenor duma janela
A tomada eléctrica antiga ainda aqui está. Parece que dá para 3 tipos diferentes de fichas.
Os azulejos duma casa de banho e respectivo chuveiro.
As telhas são especiais e foi criado um estilo, há quem use agora nas suas casas, telhas monserrate. Ao longe vê-se o Palácio da Pena
O átrio interior, com uma fonte no centro, visto de cima.




Posted by Acilina em 24/04/2005.


LINKS:

PowerPoint que alguém desconhecido fez usando algumas destas minhas fotos, sem sequer uma referência à autoria das fotos, nem minha autorização.

Protecção de propriedade intelectual - PRECISA-SE!!!

Depois de eu ter enviado um e-mail à autora, a Srª Dª Guida Pinto, esta concordou em colocar-me nos créditos dos seus PPS:








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